Depois das escolas de São Paulo, chegou a hora do Rio de Janeiro:
Beija-Flor: a mesma fórmula de sempre: ou seja, correto, porém desgastante, sem empolgação. A melodia é, em uma boa parte, repetição dos últimos anos. A letra, porém, começa de forma brilhante: "Tem magia em cada palmeira que brota em seu chão". Mas, depois do refrão do meio, dá uma queda, até chegar em "No rádio, um reggae do bom". Seria de bom tamanho, mas o refrão principal é simples demais, de tudo. Nota: 9,3
Unidos da Tijuca: letra simples. Não de criatividade, mas sim, no que tange ao entendimento. Bem ao estilo das músicas do Gonzagão. Os termos nordestinos, mesmo em excesso, foram bem colocados. A melodia é um brilho, inclusive lembra muito as músicas do Rei do Sertão. Na primeira parte, a levada do "Chuva, sol... meu olhar..." e, na segunda parte, depois do "Simbora que a noite já vem" resumem bem o casamento perfeito entre o samba, melodia e enredo. Nota: 9,6
Mangueira: se eu fosse analisar somente a gravação do CD, merecia um 10 (adorei a primeira passada, no ritmo do partido-alto, famoso dos cantores e grupos surgidos no Cacique). Mas a análise é do samba-enredo em si. A escolha de trechos de sambas dos cantores para compor a letra é discutível para alguns. A melodia, se tratando de animação, é sensacional, no mesmo estilo dos últimos da verde e rosa. Porém, nota-se uma pequena desandada entre a letra e melodia, em partes como "salve o novo palácio do samba" – atropela a métrica da estrofe - e "ver o bafo da onça desfilar" – acelera demais - além de uma quase repetição de frases, como em "e o povo a cantar" e "o povo não perde o prazer de cantar", Vai empolgar a escola na avenida, sem dúvida. Nota: 9,6
Vila Isabel: espetacular. Aliás, nos últimos três anos, a escola do Noel tem se especializado em fazer sambas memoráveis. Pra começar, a primeira parte, cheia de empolgação, com o "Vibra, oh minha Vila". No final da segunda parte, o contracanto, ou pergunta-resposta (de "Pelos terreiros" até "Agradece com carinho"), como queiram, que atiça a curiosidade de como será usado na avenida. O refrão principal tem mais, digamos, explicação do que empolgação, mas manteve o samba "pra cima". Sensacional! Viva o povo de Angola!! Nota: 10
Salgueiro: caiu em relação a 2011. É daqueles que vai cansar depois de quatro ou cinco passadas. Como disse o Cadu Zugliani, em sua análise no SRZD, "o samba não é ruim, é correto. Mas falta emoção, falta o algo mais, aquilo que torna uma obra inesquecível". Os termos nordestinos são muitos, como na Tijuca. Mas, no caso da escola alvirrubra, soa forçado. O enredo em si tem tudo para fazer a escola levantar este samba na avenida (bem a cara da Salgueiro), mas não é nada que vá ficar na história. Nota: 9,3
Imperatriz: depois de dois anos com sambas espetaculares, achei que este ano houve uma pequena caída. Não na letra, mas a melodia me parece mais arrastada. E as mudanças na mesma não me agradaram, muito menos o "Iluminaaaaaaado" do fim da primeira parte. No entanto, a letra (apesar de achar que falta uma deixa para o refrão principal) é um primor de excelência, principalmente no refrão principal, no início da primeira parte ("Ave, Bahia sagrada... abençoada por Oxalá") e no fim da segunda parte ("Kaô Kabesilê! Ora Iê Iê Oxum!"). Manteve o nível alto trazido nos últimos anos. Nota: 9,5
Mocidade: enfim, depois de anos na UTI, um samba da verde e branco volta a ter destaque. Tudo conforme o script, letra fácil de se decorar e de se cantar, perfeitamente de acordo com o propósito do enredo. Melodia que põe o samba pro alto. Um refrão principal forte e belo, um refrão do meio igualmente ótimo e uma segunda parte que beira a perfeição. O único porém - com alguma forçação de barra - seria o excesso de rimas ("guiar / lar / voar" na primeira parte e "real / mural / ideal" na segunda parte), mas a melodia anula qualquer efeito negativo que isso poderia trazer. Fantástico!! Nota: 9,9
Porto da Pedra: dentre uma safra excelente, que é a de 2012, só mesmo o Wander Pires para salvar o samba-merchandising da escola de São Gonçalo (pra quem não sabe, a Danone está bancando a escola este ano). O enredo - iogurte (argh!) - era um bicho de sete cabeças; a letra possui alguns bons momentos, mas as trocas de melodia, aliada à bagunça do refrão principal e a não-empolgação de nenhum refrão fizeram a obra se diferenciar das outras escolas, mas pelo motivo errado. Depois da Maria Clara Machado, em 2011, uma queda este ano. Erraram a mão. Uma pena. Nota: 8,8
São Clemente: e daí que tem bububu no bóbóbó?? O samba é a cara da aurinegra de Botafogo, ou seja, irreverente. A passagem do "O violino anuncia", como diria alguém, quebra tudo. Letra fácil, enredo idem. Podia melhorar alguns trechos da segunda parte, como o "De tudo aconteceu", mas é daqueles sambas que farão a Sapucaí cantar de cabo a rabo!! Bravo!! Nota: 9,9
Grande Rio: mais um que vai enjoar rapidamente. A agremiação de Caxias teve o enredo perfeito para fazer um samba-enredo inesquecível, ainda mais depois do que aconteceu em 2011. O refrão principal até traz a emoção da superação à tona. Mas o restante não empolga. Parece trecho de livro de psiquiatra, uma espécie de auto ajuda. E o que tem a ver Parintins no enredo?? Não ficou ruim, mas é um samba óbvio demais. Não vai entrar na história. Lamentável. Nota: 9,0
Portela: a crítica já disse, os torcedores rivais já disseram, os especialistas já disseram: impecável! Brilhante!! Saíram da mesmice que tomou conta dos sambas-enredo ultimamente. O resultado é um samba com cara de Portela, que remete aos áureos tempos da escola sem ser ultrapassado. A obra deste ano convida o ouvinte a subir o Pelô, bater tambor, jogar flores no mar e estender o manto. Depois de hibernar
nos últimos anos, a Majestade do Samba voltou!! Nota: 10
União da Ilha: não senti tanta firmeza na junção. O enredo é bacana, eu gosto de temas diferentes (falar de África, Amazônia, Minas Gerais, Nordeste, Rio e povo brasileiro, na forma genérica, já encheu o saco), mas não sei até onde o carisma da escola pode levantar e contagiar a avenida. A melodia é convidativa (principalmente na segunda parte, depois de "Olha, bicho, paz e amor...") a cantar o desfile todo, a letra é bem feita (apesar da junção), mas não é nada que mereça os holofotes. Nota: 9,1
Renascer: mais um bom samba, se levarmos em conta a letra. Aliás, ótimo. Mas a melodia poderia ser bem mais ousada para quem, ao mesmo tempo que traz no enredo a história de um artista que não é popular, está estreando no Grupo Especial. Não ousou, e deveria. O refrão principal é a cara do enredo, muito bem bolado. Mas falta o algo a mais. Vai depender muito da alegria e expectativa positiva dos seus componentes para levantá-lo na avenida. Nota: 9,2