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quinta-feira, 9 de julho de 2015

Enfim, o tri

Abby Wambach ergue a taça: pela terceira vez, as americanas estão no
topo do mundo! (foto: fifa.com)
Demorei, mas não posso deixar em branco.

Teve fim, no sábado, mais uma edição da Copa do Mundo de Futebol Feminino.

Disputado no Canadá, o campeonato foi o primeiro que contou com 24 seleções. Isso serviu para termos algumas estreias já esperadas, como a da Espanha.

A Copa começou, lamentavelmente, com um fato desagradável. Os jogos foram disputados em gramado artificial, o que fez perdurar uma disputa que chegou até mesmo às vias judiciais. No final, como esperado, todo mundo concordou em jogar. Durante as partidas, vários foram os lances que deixaram claro: em grama natural não ocorreria.

Bom, falemos das partidas.

Ao contrário de 2011, onde tivemos uma Copa marcada pela falta de gols, a edição de 2015 terminou com um expressivo número de 2,81 gols por partida (a Copa do Mundo masculina, em 2014, teve média de 2,67). Foram 146 gols em 52 partidas. Tudo bem, tivemos algumas goleadas bem marcantes, mas isso é que dá o tom à modalidade: a Copa passada, na Alemanha, foi a única em que nenhuma partida terminou com mais de seis gols.

Este ano, Alemanha e Suíça colaboraram com, respectivamente, um 10 a 0 e um 10 a 1. Costa do Marfim e Equador pagaram o pato de entrarem na lista das maiores goleadas da história da competição.

Aliás, na primeira fase, nenhuma grande surpresa, exceto pela eliminação precoce das espanholas, que caíram no grupo das brasileiras e terminaram na lanterna. Todas as campeãs do mundo avançaram: Alemanha, Estados Unidos, Japão e Noruega. As três seleções que já foram vices; Brasil, Suécia e China, também seguiram adiante.

Nas oitavas de final, o nosso atraso em relação ao restante do mundo ficou evidente. Só que tem uma diferença enorme entre a equipe que deu vexame no Chile e a que foi eliminada diante da Austrália, sofrendo apenas um gol: na equipe feminina faltam peças de reposição, fruto do descaso da CBF e suas federações. Some-se a isso a falta de vontade dos clubes, que mandam seus jogos em verdadeiros pulgueiros, que afugentam qualquer possibilidade do torcedor incentivar as equipes in loco. Daí a ausência de destaque no sub-17 e sub-20.

Marta e companhia terão, na teoria, a última chance de conquistar um título pelo Brasil em 2016, nas Olimpíadas.

Outra grande surpresa foi a eliminação precoce da Noruega, campeã mundial em 1995 e a única, além dos Estados Unidos, a ter um ouro olímpico. O placar de 2 a 1, tratado inicialmente como zebra, mostrou uma seleção inglesa azeitada e que, por frescuras de egos, não poderá disputar as Olimpíadas - não existe Inglaterra para o COI.

Nas quartas, a Alemanha, que havia despachado a Suécia - da técnica bicampeã olímpica, Pia Sundhage - penou pra tirar a França. A campeã de 2003 e 2007 teria as americanas pela frente nas semifinais, enquanto do outro lado o Japão passou na conta do chá por Holanda e Austrália. E mantinha vivo o sonho do segundo titulo.

Nas semifinais, os Estados Unidos jogaram da forma que quiseram frente as saxônicas e carimbaram passaporte para a grande final. De novo contra as japonesas, que venceram na bacia das almas, graças a um gol contra aos 46 do segundo tempo.

A final da Copa de 2011 e das Olimpíadas de 2012 se repetiria. E aí as americanas mostraram ao mundo porque são o exemplo a ser seguido. Um 5 a 2 acachapante, com o time abrindo 4 a 0 antes dos 25 minutos de jogo. Um dos gols, o quarto, feito por Carli Lloyd do meio de campo. Lloyd, junto com Celia Sasic, da Alemanha, terminaram como as artilheiras da competição.

E com o tricampeonato, os Estados Unidos se livraram da "amarração" da geração de 1999, quando Mia Hamm e companhia levaram o título sobre a China. Talvez um grande presente para Abby Wambach, a grande capitã. Aos 35 anos, sem fôlego para aguentar um jogo todo - mas extremamente importante para a equipe e para o futebol feminino, a camisa 20 recebeu a braçadeira de presente na final, ergueu a taça, tratou os dirigentes da FIFA com desdém e, diante de todas as câmeras do mundo, não se limitou na "vergonha" e tascou um beijo em sua namorada.

Um basta no preconceito duplo: de gênero e da modalidade.

Aos que ainda teimam que o futebol feminino não dá público, quero avisa-los que tivemos, na partida entre Canadá x Inglaterra, pelas quartas-de-final, um público de mais de 54 mil pessoas. Isso é "só" o recorde em um evento esportivo no país. A hashtag #fifawwc esteve nos trending topics durante vários dias, incluindo a finalíssima. Foram apenas 110 cartões amarelos, uma média de 2,1 cartões por jogo. E apenas três cartões vermelhos!!

No mundial "ô... ê... aaahhh...", disputado aqui, a média de cartões amarelos foi de 2,92. E tivemos 10 expulsões.

E a média de público quebrou todos os recordes: um total de 1.353.506 (média de 26,029 por jogo) testemunharam uma Copa do Mundo que martela de vez a necessidade das federações se dedicarem à modalidade.

Elas já mostraram do que são capazes. Dentro de campo!

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