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terça-feira, 10 de março de 2015

A hora da exceção

Morumbi vazio na vitória corintiana de domingo: consequência da bajulação
às organizadas, em detrimento do torcedor comum! (foto: Gazeta Press)
Muito se fala na violência das torcidas no futebol. O assunto, infelizmente, voltou à tona.

No último domingo, no clássico entre São Paulo x Corinthians, mais uma prova disso: embora o Morumbi estivesse praticamente vazio, alguns membros de organizadas são-paulinas foram para o jogo apenas para arrumar briga. Tentaram agredir os corintianos e depois entraram em confronto com a PM que, óbvio, revidou - tinha que ter batido mais.

Pois bem. Ontem, dirigentes dos clubes paulistas se reuniram com a Secretaria de Segurança para discutir a violência das organizadas. Nenhuma proposta concreta foi apresentada e o Poder Público se manifestou de forma bastante descontente quanto a isso, é claro.

Daí eu fiquei pensando: nenhuma proposta?

Logo após o clássico deste último fim de semana, o vice-presidente de futebol do tricampeão mundial, Ataíde Gil Guerreiro, deu uma declaração bem precisa, porém por uma consequência imbecil. Ele disse que o Morumbi não encheria nem se a entrada fosse gratuita, ou seja, com portões abertos.

O Morumbi estava às moscas e não é por causa do momento do time, que não corre nenhum risco por enquanto. A questão é bem mais profunda e está ligada à violência.

Antes do clássico, a diretoria disponibilizou ônibus - de graça, claro - para as organizadas. Pra variar, o presidente Carlos Aidar culpou a segurança pública.

Em tempos atuais, é uma vergonha, até porque a conta tem que ser paga de algum modo. E aí sobra para o torcedor comum e para o sócio-torcedor, que são extremamente desrespeitados pelo clube. Não à toa, cai o número de associados do time da Vila Sônia.

Outros clubes fazem o mesmo. Tratam os violentos torcedores das organizadas a pão-de-ló e ao torcedor decente, aquele que paga ingresso e consome produtos dos clubes, não há benefício algum. É óbvio que o estádio ficará às moscas. O torcedor não é burro e, no caso dos são-paulinos, a resposta está sendo a melhor possível. Sem culpar jogadores nem técnico. Basta não ir ao estádio.

Rapidinho a situação muda.

E para aqueles que não souberam apresentar nenhuma proposta, que tal seguir o exemplo do Palmeiras, que simplesmente acabou com as regalias às organizadas e, com isso, aumentou absurdamente o número de sócios-torcedores, a ponto de colocar quase 30 mil em um jogo de primeira fase de estadual?

Paulo Nobre mostrou que é fácil fazer. Basta ter vontade e culhão.

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