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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Títulos bem guardados

Festa da Beija-Flor: enredo polêmico, mas a competência de sempre. Depois
do fiasco do Boni, o 13º título! (foto: uol.com.br)
Chegou ao fim mais um Carnaval.

Como fiz em 2014, postarei um top-10 dos desfiles, focando nas três principais cidades do Brasil em termos de samba-enredo. Em todas elas, vitórias de tradicionais.

1- Esqueçam esse papo de "só ganhou porque falou de ditador". Analisem o desfile como ele tem que ser julgado, ou seja, nos quesitos. A Beija-Flor era apontada por muitos, junto com Salgueiro e Portela, como as maiores candidatas ao caneco. Levou com merecimento, assim como seria se alguma outra das duas levasse. Essa história de "protegida da Globo, da LIESA, da putaquepariu" já encheu o saco. Excluam-se os comentários dos torcedores modinhas que não sabem nem o que é Concentração e Dispersão. Então chegamos à conclusão de que eles foram, mais uma vez, competentes e organizados. Laíla, em prantos, soltou um "me desculpem pelo desfile do Boni". Está desculpado. Neguinho da Beija-Flor disse ser a maior vitória da vida, por toda a pressão após o sétimo lugar de 2014. "Mas foi dinheiro sujo de ditador sanguinário". E o dinheiro do jogo do bicho é o quê? Sem falsos moralismos.

Clique para abrir o mapa de notas do Grupo Especial do Rio de Janeiro.
Abre-alas da Portela: seguramente a alegoria mais linda do
milênio. Quinto lugar injusto. (foto: uol.com.br)
2- Agora aos poréns. A Beija-Flor merecia perder mais pontos em harmonia e, especialmente, em evolução. Há pelo menos uns cinco anos a escola de Nilópolis não é julgada com rigor no quesito, especialmente quando chega na nota da jurada Salete Lisboa, que só tirou 1 décimo em 2013 porque o buraco de quase 50 metros no primeiro módulo foi muito visível. Este ano, a referida em questão lascou um absurdo 10, mesmo com um rombo de quase 30 metros à frente da última alegoria - porque a bateria se esqueceu de sair do recuo naquele local. Perderia o título? Provavelmente não, já que o Salgueiro foi muito beneficiado ao levar os 40 pontos em samba-enredo. Foi o ápice da mediocridade.

3- "E a Portela, Rodrigo"? Foi a única julgada com perfeição em quase todos os quesitos. Digo quase porque em Alegorias, a azul e branco de Madureira deveria ter perdido mais alguns pontinhos, em que pese a alegoria mais linda dos últimos anos. Mas o quinto lugar foi muito pouco; é fato. Assim como é fato que a Imperatriz foi "aliviada" em Bateria, pois a Swing da Leopoldina atravessou por pelo menos sete oportunidades em seu desfile, o que quase acabou com o belo samba.

Abre-alas da São Clemente: injustiça não ter ficado entre
as seis primeiras!  (foto: uol.com.br)
4- Mocidade e São Clemente foram esculachadas na apuração. Mesmo com a idiotice da verde e branco de Padre Miguel ter colocado o casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira junto com a Comissão de Frente, algumas notas não condizem com o apresentado. Bateria e Evolução tinham que ter cravados os 30 pontos válidos. Já a aurinegra de Botafogo foi muito prejudicada em Harmonia, Fantasias e Alegorias. Ambas tinham que ter voltado nas Campeãs.

5- Porém, nenhuma bizarrice foi tão absurda quanto a Grande Rio ter ficado com o bronze. Era desfile para brigar contra o descenso. Porém, as notas em Samba-enredo, Bateria e Evolução foram um acinte, um soco no estômago a quem gosta e entende de Carnaval. Terceiro lugar sem merecer, salvo a ótima Comissão de Frente.

6- Era quase certo que a Viradouro cairia, tanto pelo visual fraco quanto pela chuva forte. Mas abro um parênteses pra falar do samba, que levou os 30 pontos válidos. Pode ser a pá de cal do gênero. Seu lugar em 2016 será ocupado pela Estácio, que levou a Série A. A boa notícia, no entanto, foi o ressurgimento da Império Serrano na briga para voltar à elite. O terceiro lugar empolgou a todos.

Clique para abrir o mapa de notas da Série A do Rio de Janeiro.
Presidente da campeã Vai-Vai, Darly "Neguitão" Silva, foi
cumprimentar Solange Bichara, da vice Mocidade Alegre!
7- A Vai-Vai levou em São Paulo. Merecido? Sim. Mas não se iludam. Não fosse a desastrada Evolução (coisa rara), a Mocidade Alegre levaria o tetracampeonato com o pé nas costas. Infelizmente o julgamento em São Paulo também foi uma barbaridade, com a Nenê atrás de Águia de Ouro e Tucuruvi, a Dragões da Real fora do pódio e, principalmente, a Gaviões fora do grupo das cinco primeiras.

8- Porém, reforço o coro de muita gente: as escolas de samba oriundas de torcidas organizadas precisam seguir o exemplo da Dragões da Real e desvincular ao máximo os departamentos de futebol e carnaval. A tricolor da Vila Anastácio faz isso há algum tempo: ninguém do futebol se envolve com o carnaval e vice-versa. O resultado é uma escola organizada, gerida por pessoas que realmente entendem do riscado. E as consequências para as outras são as colocações. A Mancha Verde foi rebaixada de forma bem injusta, junto com a Tom Maior. No Acesso (que teve Peruche e Pérola Negra subindo), mesmo o rebaixamento sendo meio esperado, a Independente poderia ter se mantido. Caiu. Então passou da hora do Carnaval dessas agremiações ser comandado por gente não tenha nenhuma ligação com o futebol.

9- Em Santos, nenhuma surpresa. Há alguns anos, X-9 e Unidos dos Morros disputam o caneco. Foi assim nos últimos três desfiles (em 2013 foi cancelado devido ao acidente e morte de integrantes da Sangue Jovem). Não seria diferente esse ano. Até podemos argumentar (com razão) que a União Imperial merecia mais do que o quarto lugar. Mas a tradicional escola do Macuco fez por merecer. É a prova, junto com as duas citadas mais a Mocidade Amazonense, que o carnaval santista pode voltar aos seus bons tempos.

Clique para abrir o mapa de notas dos três grupos de Santos.
A "pioneira" X-9 homenageou o Rio de Janeiro e suas tradições
carnavalescas: mais um título! (foto: santos.sp.gov.br)
10- Como sempre deixo uma sugestão para os desfiles daqui, vou colocar outra. O Secretário de Cultura, Fábio Nunes (o Profº Fabião), reforçou que Santos não pode se equiparar a São Paulo e Rio de Janeiro e tem que fazer o trabalho sem preocupação de comparação. Concordo. Porém é fato que, no fim de semana dos desfiles, o sambódromo fica mais vazio do que deveria devido a muitos assistirem os desfiles do Rio pela TV - ou indo à Marquês de Sapucaí. Então que tal seguir o exemplo de Vitória e fazer os desfiles uma semana antes das capitais paulista e fluminense? É uma forma de atrair mais a atenção do morador local, atrair as próprias escolas e profissionais das agremiações paulistanas a ajudar as escolas daqui - mais do que já fazem - e, principalmente, ter mais gente assistindo in loco lá na passarela da Zona Noroeste. E quem sabe, ter mais transmissão de rádios e TVs, sem concorrência. As melhorias na estrutura são visíveis. Falta mostrar de vez ao país que, sim, em Santos tem Carnaval - e dos bons!

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