Páginas

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Só metade

Enquanto Boselli comemora o gol do León, jogadores do Flamengo lamentam:
mais uma eliminação precoce! (foto: Marcelo Theobald / O Globo)
Eram seis. Restaram apenas três.

A participação brasileira na Copa Libertadores de 2014 começa a dar sinais de vexame. Foram três eliminações que podem ser classificadas por alguns como vexatórias, tristes, dolorosas... mas é resultado da soberba.

Inclusive a soberba aconteceu com alguns classificados.

A eliminação que parecia mais provável de acontecer era a do Atlético Paranaense. O time cumpriu sua obrigação perante ao Universitário, mas não foi páreo diante do Velez Sarsfield. Teve que decidir a vaga contra o The Strongest, da Bolívia, na altitude de La Paz. E perdeu.

"A culpa foi da altitude". Choradeira de quem perde. Sim, tem os efeitos, mas existem métodos de preparação eficiente. E outra: se fosse apenas a altitude, o time boliviano não teria passado de fase.

Aí está a soberba. Os três eliminados acharam que enfrentar times desconhecidos e de centros fracos seria uma barbada. Não foi. Na Libertadores, nunca é; o histórico mostra isso. Surpreendentemente, no entanto, a evolução foi notória. Os dois times bolivianos passaram de fase. Um dos venezuelanos não passou por pouco, assim como os equatorianos. Somente os peruanos deram vexame.

Piatti toca na saída de Jefferson: terceiro gol, classificação
argentina e adeus alvinegro! (foto: AFP)
Aliás, o caso dos bolivianos é louvável. O Bolívar terminou o grupo 7 na liderança. Sobrou para o Flamengo decidir contra o León, do México. E o campeão de 1981 foi derrotado, em casa. Campanha prejudicada ao longo do grupo por não ter vencido o Bolívar no Maracanã e ter perdido as duas para os mexicanos. O Flamengo é a equipe brasileira que mais vezes caiu na primeira fase, sendo a segunda participação consecutiva.

Já o Botafogo, bom... não bastasse ter perdido em casa para o Union Española, o time também tropeçou contra o Independiente Del Valle, do Equador, que fez sua estreia na competição. Caso vencesse o time chileno dentro de seus domínios (o que era obrigação), não correria nenhum risco diante do San Lorenzo, pois já chegaria classificado. Ou seja, na hora de decidir, o time fraquejou bisonhamente.

A dupla mineira também não pode bradar muita coisa. Cruzeiro e Atlético Mineiro fizeram campanhas sofríveis. Enquanto o atual campeão não levou sustos (tendo sua crítica voltada apenas à falta de um futebol convincente), a Raposa penou pra passar. Inacreditavelmente, a única vitória de um time peruano nesta edição foi justamente em cima dos celestes: contra o Real Garcilaso. Vieram duas vitórias contra a Universidad de Chile, mas diante do Defensor, foram atuações que deram vergonha. Felizmente, na última rodada, o 3 a 0 diante dos peruanos era o que o time precisava para passar sem depender de ninguém.

Já o Galo sofreu para empatar as duas contra o inexpressivo, porém bem azeitado time do Nacional do Paraguai. E contra o Zamora, ontem, foi na bacia das almas. Tudo bem, já estavam classificados. Mas poderiam perder a primeira posição justamente para o alvinegro venezuelano, que fez uma campanha brilhante, mesmo tendo saído na fase de grupos.

Somente o Grêmio brilhou, e justamente no chamado "grupo da morte". Talvez o fato de encarar adversários mais tradicionais e difíceis tenha feito o campeão do mundo de 1983 jogar com raça, vontade e seriedade todo o tempo. O resultado? Invencibilidade e a segunda melhor campanha no geral.

Internacional, Santos, Corinthians e Atlético-MG: a coroação brasileira em 2014 significará o
recorde de títulos consecutivos de um mesmo país na Libertadores (foto: montagem)
Agora começam as oitavas de final. Três times que já foram campeões têm a imensa responsabilidade de manter o Brasil na lista de campeões da Libertadores e seguir em busca do maior período de invencibilidade de um país na competição. Já igualamos o recorde de quatro conquistas consecutivas, assim como a Argentina, que mandou no continente entre 1967 e 1970 (uma com o Racing e três com o Estudiantes) e entre 1972 e 1975 (as quatro com o Independiente). Caso o Estudiantes, que vinha de um tri entre 1968 e 1970, tivesse vencido em 1971 o Nacional-URU, esse número subiria para nove conquistas ininterruptas.

Cabe, portanto, a Cruzeiro, Atlético-MG e Grêmio fazer o Brasil pentacampeão da Libertadores. Depois de Internacional (2010), Santos (2011), Corinthians (2012) e Atlético-MG (2013), será que manteremos o ritmo? A ver!
  
Compartilhar no Facebook Compartilhar no Twitter Compartilhar no Google+ Adicionar ao Tumblr Adicionar ao Linkedin Adicionar ao Blogger Adicionar ao Wordpress Enviar por e-mail Imprimir

Nenhum comentário:

Postar um comentário

OBS: Comentários anônimos serão excluídos. Para inserir o seu nome, basta clicar em "Nome/URL". Não é necessário preencher o campo URL caso não tenha!

No lugar do nome, podem colocar o Twitter, o e-mail ou o site pessoal. Mas não pode ficar anônimo!