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sexta-feira, 28 de março de 2014

Sucesso??

Estádio Mané Garrincha, em Brasília: símbolo maior do descaso com o
planejamento para grandes eventos (foto: divulgação)
Sem mais delongas, eu sinto pena daqueles que acreditam que a Copa do Mundo será um sucesso absoluto.

Tenho todas as razões para não acreditar em coisa boa: estádios hiperfaturados, atraso nas obras, projetos de mobilidade e transporte que não saíram do papel ou estão incompletos, estádios em regiões onde o público é pequeno... "se não fosse sucesso, os ingressos não estariam esgotados". E daí? O fato de termos público é compreensível, afinal, não é sempre que podemos ver uma Copa do Mundo (como também será com as Olimpíadas) no "quintal de casa". A questão não é esportiva, e sim, estrutural; é o que realmente vai ficar para a população.

Não, eu não sou da leva dos que gritam aos quatro cantos que "não vai ter Copa". Sim, ela irá acontecer, mas não existe nenhum legado.

Antigo autódromo de Jacarepaguá: faltando dois anos para
os Jogos, nada pronto! (foto: divulgação)
Estádios novos? Para quê, se é mais cômodo assinar um pacote fechado de TV por assinatura e assistir de casa, sem ter que enfrentar trânsito, sem pagar um absurdo por um ingresso, sem ser assaltado nas lanchonetes, podendo usar o banheiro limpinho em casa e o melhor: sem correr o risco de virar número nas estatísticas de mortes nos estádios. "Rodrigo, você é radialista esportivo, portanto tem que amar futebol". Não. Até gosto de futebol, sim, mas a minha paixão é o esporte a motor, onde o torcedor se respeita na arquibancada (exceto as torcidas de Valentino Rossi e Max Biaggi), onde há ambiente familiar e um esporte cujo desenvolvimento tecnológico se volta para a sociedade.

Voltando aos legados: cadê os aeroportos novos? Cadê as obras viárias que resolveriam o problema do trânsito? Nada disso existe. Dou um exemplo: o VLT de Santos, obra que eu apoio demais, porém talvez eu não esteja mais neste mundo para vê-la pronta. Se bem que se eu começar a discutir os problemas do Brasil, não vou mais parar de escrever. E o futuro será mais sombrio.

"The Marshmallow", a arena do basquete, em Londres-2012:
ginásio temporário e reciclável! (foto: divulgação)
"Rodrigo, você é pessimista demais". Não. Sou realista. Peguemos o exemplo de Londres. Faltando um ano (leiam bem: UM ANO) todas as obras estavam prontas; todas as quadras, ginásios e campos estavam prontos, para serem testados e terem seus pequenos problemas corrigidos.

O resultado foi a melhor edição dos Jogos Olímpicos da história. Não teve problema de segurança, de infraestrutura, de sumir equipamento durante a competição... e nem mesmo de censurar a imprensa, porque os britânicos não tinham nada a esconder.

Já aqui... faltando dois anos para os Jogos de 2016, nada está pronto - o que foi feito para o Pan 2007 precisa de reforma. Isso é um país decente? Vamos acabar igual Atenas e Pequim: com várias arenas e ginásios apodrecendo por não ter uso. É isso que todos querem? Por que não seguir os exemplos de Barcelona-1992, Sydney-2000 e Alemanha-2006?

Mania de brasileiro querer se comparar aos maus exemplos para se sobressair.

Depois tem gente que se irrita com os protestos.

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