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quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Mudar para melhor

Império Serrano, em 2013: chance de voltar a brilhar é pequena. Culpa de
poucas escolas no Especial! (foto: Riotur / divulgação)
Está chegando a hora dos Desfiles das Escolas de Samba!! Espalhados pelo Brasil, óbvio que a atenção recai sobre Rio de Janeiro e São Paulo.

Inspirado na coluna que o Leonardo Dahi escreveu no site Ouro de Tolo, resolvi também colocar algumas ideias a fim de melhorar os desfiles, dando boas oportunidades a todas as escolas e valorizando ainda mais a disputa e o espetáculo proporcionado por elas.

Começando pelo Rio de Janeiro.

No Grupo Especial, creio que o ideal seriam 16 escolas, com o principal argumento de que hoje temos muitas escolas grandes e médias – e o que dá vida às grandes é ter sempre um grupo de três ou quatro escolas que briguem lá embaixo. Isso não é comodismo, pelo contrário, acaba acirrando a disputa, porque mesmo essas de baixo vão querer surpreender.

Quando a "Primeirona" tinha 16 escolas, ou mesmo no tempo que ficaram 14, eram poucas as escolas grandes que sofriam. E dói ver agremiações do naipe de Viradouro, Estácio, Império Serrano e Caprichosos, por exemplo, definhando na Série A, além de outras tradicionais nos grupos mais inferiores, como Unidos da Ponte, Cabuçu, Arranco, Jacarezinho, Leão de Nova Iguaçu, Lins Imperial, Vizinha Faladeira…

Outra mudança que eu faria é diminuir o tempo de desfile de 82 para 70 minutos e reduzir o número de alegorias em sete, e não mais oito como é hoje. Limitaria o número de componentes a 4500 (é difícil, mas dá pra fazer, afinal, como que todo mundo sabe quantas pessoas irão em determinada escola?). Com a mesma grana que recebem atualmente, as escolas levariam para a passarela um acabamento de carros e fantasias mais caprichado – e as escolas médias não sofreriam tanto com o baixo orçamento, podendo proporcionar um melhor espetáculo visual. Sendo assim, o público assistiria a todas as escolas com muito mais gosto.

Fora que não mudaria muita coisa na programação das emissoras que transmitem os desfiles.

Também colocaria 16 escolas na Série A, com tempo de desfile em 65 minutos e limite de 4000 componentes e cinco alegorias – para aproximar mais da Especial em termos de capacidade, já que hoje o número de quatro carros desagrada e muito. Na Série B, colocaria 12 escolas, tempo de 45 ou 50 minutos e entre três e quatro alegorias, já que desfilariam todas no mesmo dia.

(Aliás, outra sugestão levantada pelo próprio Leonardo: o grupo B - e não o mirim - deve desfilar na Sapucaí. Concordo com ele: as mirins poderiam desfilar no fim de semana anterior aos desfiles. Seria uma espécie de aperitivo. Sendo assim, a Série B desfilaria toda na terça-feira, no Sambódromo).

Entre todos esses grupos, subiriam e cairiam duas escolas.

Nos grupos que ainda desfilariam na Intendente Magalhães (aliás, a prefeitura e o Governo já passaram da hora de montar uma estrutura decente por lá), colocaria as Séries C e D (três carros) e criaria, para substituir os grupos de blocos, as Séries E (dois) e F (um), onde as regras dos mesmos valeriam para os supostos grupos (mudando o nome para não parecer tão depreciativo). Dá pra manter 12 escolas em cada, subindo e caindo duas (no F, pode-se colocar mais escolas).

Analisemos o total de escolas, portanto: 16 (Especial) + 16 (Série A) + 12 (B) + 12 (C) + 12 (D) + 12 (E) = 80 escolas. Sem contar as do Grupo F. Com 44 desfilando na Sapucaí, contra as atuais 29. Quer maior motivação?

Uma outra proposta, mas essa é meio polêmica: a campeã de um ano sempre ser a primeira a desfilar no ano seguinte, com a condição de estar imune ao rebaixamento, independente do que acontecer em seu desfile. Acaba a história da primeira agremiação sempre ser prejudicada com notas que nunca condizem, em sua grande maioria, ao desfile apresentado, até porque eu duvido que algum jurado teria má vontade em julgar uma Mangueira ou uma Beija-Flor, por exemplo.

Nenê de Vila Matilde, em 2013: assim como o Tatuapé, a prova de que a
escola que sobe pode se manter! (foto: Flavio Moraes / G1)
Em São Paulo, algumas mudanças: manteria os 65 minutos, só que com cinco carros, no Especial. Mas poria 16 escolas – a concorrência e o equilíbrio da primeira divisão é assustadoramente grande. E, diferente do RJ, não há a necessidade de proposta da campeã abrir os desfiles, porque geralmente, quem sobe consegue se manter. O histórico mostra isso!

Na Segundona, aumentaria também para 16, desfilando, como também proposto pelo Leonardo, em dois dias (domingo e segunda), com 55 minutos de desfile e quatro alegorias como limite. A justificativa de dobrar o número de escolas (atualmente são oito) é a mesma do Especial do Rio: apoio às tradicionais. Escolas como São Lucas, Flor de Vila Dalila, Combinados de Sapopemba, Primeira da Aclimação e Barroca Zona Sul, por exemplo, pela história que possuem, não poderiam jamais disputar qualquer desfile que não fosse nos primeiros dois grupos.

E tentando diminuir a quantidade de divisões inferiores, aumentaria a quantidade de escolas dos grupos inferiores, regidos pela UESP. Hoje, na capital paulista, temos 69 escolas e 13 blocos que se dividem em sete grupos. Dá para manter os grupos 1 e 2 da UESP com 12 escolas cada e, dependendo do tempo de desfile - 40 minutos cada, por exemplo - o Grupo 1 poderia desfilar toda na terça-feira, no Anhembi.

O grupo 3, que uniria as antigas quinta e sexta divisão, mais os blocos, ficariam com as escolas restantes, além dos blocos. Local de desfile para este grupo? Uma sugestão: Ibirapuera! Ou no Campo de Marte! Ruas largas em São Paulo existem aos montes! Ou então, da mesma forma que as escolas mirins do Rio, colocaria este grupo no sábado anterior aos desfiles.

Sobre o sistema de notas, acho que deveria valer a mesma regra para ambas as cidades: fracionadas em 0,25 (acho uma babaquice monstruosa dar 9,9 para uma escola) e limitadas entre 7 e 10, sem descarte nenhum. Descartes só beneficiam escolas irregulares, como foi com a Mocidade Independente em 2013.

Para estouro de tempo, perda de 1 ponto, mais 0,25 por minuto perdido. Para componentes a mais ou a menos (baianas, comissão), 0,5 ponto por integrante sobrando/faltando. E acho que deveria haver maior rigor quanto às penalizações de concentração e dispersão. Sei lá, uns 5 pontos! Já é uma diferença considerável.

Enfim, são ideias. O legal é que cada leitor também poderá escrever suas ideias aqui nos comentários. Quem sabe alguém das ligas carioca e paulistana não leem aqui e acabem adotando algumas??

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