Páginas

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Três décadas de espetáculo

Abre-alas da Beija-Flor, em 1998: o fim do jejum marcou também o início das
conquistas na Marquês de Sapucaí! (foto: divulgação)
Estava lembrando que, em 2014, o Sambódromo do Rio de Janeiro completa 30 anos, desde que foi projetado pelo Oscar Niemeyer e construído nos moldes de hoje (com arquibancadas, camarotes e cabines de rádios e TV). Não contemos a segunda reforma, em 2012, pois esta apenas concluiu o projeto original.

E aí me veio um nome na cabeça: Império do Marangá. Poucos ouviram falar nesta escola de samba, que enrolou a bandeira em 2000, depois da desclassificação do Grupo E, em 1999. Mas ela tem o nome gravado na Sapucaí: a Império do Marangá foi a PRIMEIRA escola a desfilar na rua que, além de continuar sendo rua, virou atração turística.

Nestes 30 anos, muita coisa mudou no Carnaval. Em matérias de títulos, óbvio, lembraremos de Beija-Flor e da Imperatriz. A primeira saiu da fila em 1998 (com o samba que, na minha opinião, é o melhor da história da escola) para abocanhar mais seis títulos. A segunda reinou nos anos 90 e acrescentou mais seis títulos à sua bela coleção de canecos.

Além dessas duas, podemos citar a Mangueira, a única supercampeã do Carnaval (em 1984 teve campeã de domingo, de segunda e teve supercampeonato no sábado) e que depois levou outros quatro títulos. Somando-se a essas três, a Sapucaí assistiu, enfim, a Vila Isabel campeã (3 vezes) e a confirmação da Mocidade como escola de ponta (4 títulos). Sem contar as conquistas de Estácio e Viradouro, em 1992 e 1997, respectivamente. E ambas com Dominguinhos empunhando o microfone oficial, o que faz dele o único intérprete campeão em três escolas diferentes (ele também já foi campeão na Imperatriz).

Candidata ao rebaixamento? Nada que a criatividade de
Paulo Barros não resolvesse: vice em 2004! (foto: Veja)
No âmbito visual, a Sapucaí nova "lançou" um carnavalesco adepto da criatividade, que é o que o Carnaval precisa para frear o luxo desnecessário imposto em 1976, por Joãosinho Trinta na Beija-Flor: falo de Paulo Barros, o principal responsável por tirar a Unidos da Tijuca das posições de baixo para brigar - e voltar a ganhar - títulos (a escola havia sido campeã em 1936 e depois, só em 2010 e 2012). O marco foi em 2004, quando todos acreditavam que a escola do Borel cairia - e conquistou o vice-campeonato

E mesmo sem o genial carnavalesco (de estilo extremamente contestado por alguns), a escola azul e amarela foi bem nos três anos em que Luis Carlos Bruno esteve na escola. Mesmo em 2009, com o nono lugar, vítima da água e do sabão que Laíla e sua trupe derramaram na avenida. Ou seja, o legado de Paulo Barros já foi deixado em prol da escola. Que venham mais carnavalescos iguais a ele, que colocam a criatividade acima de tudo, para que o dinheiro apenas complemente suas ideias.

Ah! Já ia me esquecendo: a Sapucaí também assistiu a outra escola que nunca foi rebaixada (juntamente com Mangueira, Portela e Mocidade) encerrar um jejum, começar outro e terminar de novo: o Salgueiro, que ficou de 1975 a 1993 na fila. Ganhou com o "Explode coração" e depois, só em 2009, com um samba péssimo.

"Madureira sobe o Pelô...". O show da Portela em 2012 que
confirma: grandes sambas existem! (foto: Jornal O Dia)
Sim, péssimo. Apesar do título (inquestionável), a escolha de um samba-enredo apenas funcional é a síntese dos desfiles atuais! Aliás, 2008 e 2009 foram anos terríveis em matérias de samba-enredo, pois obras que tinham tudo para se tornarem imortais foram eliminadas sem dó para dar lugar a obras que apenas servem como acompanhamento do desfiles. E que são esquecidas rapidamente.

O show de críticas fez surgir, em 2010, duas obras antológicas (listadas em meu top-20 particular) de Vila Isabel e Imperatriz. De lá pra cá, o nível melhorou. Tomara que continue assim.

Ainda existe luxo supérfluo nos desfiles. Esse é mais difícil de ser contido. Mas que pelo menos os sambas sejam bons! Que o recente sacode da Portela em 2012 e o título da Vila Isabel em 2013 façam, ao menos, as escolas entenderem que samba-enredo pode ajudar a levantar títulos e que são esses que ficam eternizados na cabeça dos sambistas.

Nossos ouvidos agradecem!

Compartilhar no Facebook Compartilhar no Twitter Compartilhar no Google+ Adicionar ao Tumblr Adicionar ao Linkedin Adicionar ao Blogger Adicionar ao Wordpress Enviar por e-mail Imprimir

Nenhum comentário:

Postar um comentário

OBS: Comentários anônimos serão excluídos. Para inserir o seu nome, basta clicar em "Nome/URL". Não é necessário preencher o campo URL caso não tenha!

No lugar do nome, podem colocar o Twitter, o e-mail ou o site pessoal. Mas não pode ficar anônimo!