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terça-feira, 10 de setembro de 2013

Asa negra

A vergonha da rodada: massagista do Aparecidense invade o campo
e tira o gol do Tupi: punição, já! (foto: divulgação)
Fim de semana com algumas polêmicas, hein?

Primeiro, no sábado, o Grêmio venceu a Portuguesa com um pênalti pra lá de inventadaço (processa agora!!) e sem acréscimo nenhum na partida (os três minutos dados pela arbitragem foram anulados com a cera tricolor - aliás, que vergonha!). Tal arbitragem desastrosa desencadeou críticas pesadas de dois jornalistas da ESPN Brasil: Arnaldo Ribeiro e Flávio Gomes.

O primeiro "pediu" via Twitter que monitorassem prováveis ligações entre Grêmio, CBF e Comissão de Arbitragem. O segundo extrapolou e desferiu, em seu perfil pessoal, ofensas aos gremistas e aos gaúchos. Fábio Koff, presidente do time, redigiu uma nota de repúdio aos dois (o que eu achei babaquice). A ESPN Brasil agiu e demitiu o comentarista de automobilismo da emissora, além de afastar temporariamente ao Arnaldo.

Não vou entrar nos méritos de quem estava certo ou errado, até porque sabemos que o Flávio exagera na crítica e no palavreado, muitas vezes de baixo calão - repito, em seu perfil pessoal somente. Mas tenho uma pergunta, digamos, inocente a fazer: por que a emissora do Grupo Abril só tomou providências DEPOIS que o ex-presidente do Clube dos 13 soltou a nota? Quer dizer que se ele não falasse nada, toda a história de ética e respeito que o canal de esportes prega - e que eu acredito fielmente que existe - seria inválida?

Conheço o João Palomino, diretor de jornalismo da emissora, e sei da sua idoneidade e da sua postura firme e correta em não deixar que um comentário infeliz e desnecessário, como o que soltou o Flávio, não acarrete em danos morais à ESPN Brasil - no que faz muito bem. Mas a atitude de demissão abriu o leque de discussão: até onde uma emissora pode interferir em um perfil pessoal de qualquer coisa de um profissional seu?

Isso abre um precedente perigosíssimo, porque agora qualquer time vai se sentir no direito de pedir a cabeça de um jornalista caso este fale mal do seu time por qualquer motivo - por exemplo, eu digo aqui que o Corinthians não está jogando porcaria nenhuma e que os jogadores não aparentam se dedicar como em 2012, em um claro sinal de acomodação. E aí, o Mário Gobbi vai querer me processar por isso? E assim o Jornalismo Esportivo vai morrendo aos poucos; a sua essência de formador de opinião que é o que move a profissão e faz a população PENSAR a respeito. Neste caso, não me refiro ao comentário do Flávio, e sim o do Arnaldo: uma simples crítica à uma péssima arbitragem, que continua uma merda porque os clubes assim desejam.

Não podemos mais reclamar da censura que chineses, norte-coreanos e árabes impõem às mídias. Nós estamos fazendo pior. Não em proibir de falar, longe disso, mas de usar uma maquiagem de "liberdade de expressão" para depois repreender. Quase a mesma história da demissão do Jorge Kajuru da Band.

Mais fácil autenticar que, sim, ninguém pode emitir opinião de nada! Ou proibir de ter perfil pessoal enquanto empregado de empresa A ou B. Não só no Jornalismo Esportivo, mas em todos os ramos. E assim viraremos uma Venezuela!

Bom, no domingo a Ferrari solta uma nota que decidirá seu futuro na quarta-feira, mais conhecida como amanhã. Ao mesmo tempo, Steve Robertson, empresário de Kimi Raikkonen, diz o mesmo. Muita coincidência. Em paralelo, alguns jornais dão como certa uma negociação para que o finlandês seja o companheiro de equipe de Fernando Alonso na equipe italiana.

Há algum tempo, a Lotus declarou que, caso perdesse seu primeiro piloto, seu substituto seria um vice-campeão. Só existem dois pilotos na atual Fórmula 1 que já foram vice-campeões: o próprio Alonso e Felipe Massa (que dizem, irá para a vaga deixada por Kimi). A pergunta: a Ferrari há tempos não implanta a filosofia de dois "primeiros pilotos". Vai dar certo?

E por fim, a maior delas. O massagista do Aparecidense-GO que invadiu o campo e tirou o gol que selaria a classificação do Tupi-MG para as quartas de final da Série D do Campeonato Brasileiro. Tratado como herói pelos torcedores goianos, o lance irritou profundamente a José Maria Marin, presidente da CBF, que praticamente exigiu ao STJD que a partida seja cancelada e remarcada.

Já disse em meu Twitter e repito: fosse eu o presidente do STJD, já teria forçado uma mudança na lei para que, neste caso, o time de Goiás fosse imediatamente excluído do campeonato e sofresse como pena, além de uma multa pesada, um afastamento de três anos de qualquer campeonato nacional.

Rapidinho essa palhaçada mudaria.

E para quem achou graça no lance, me desculpem, mas são pessoas desprovidas de qualquer pingo de caráter.

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