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terça-feira, 6 de agosto de 2013

Qualidade descartada

É assim que a grande mídia trata quem está começando!
Nesta semana, uma matéria polêmica foi postada pelo Erich Beting, da Bandsports, em seu blog. Nele, o jornalista e colunista da UOL declara sobre a vontade do Corinthians de cobrar das rádios para transmitir seus jogos.

A favor, realmente o fato de que os veículos de comunicação devem se estruturar, realmente. Mas paremos por aí.

Li no Facebook uma postagem de um internauta (cujo nome me esqueci) dizendo que tal medida vai beneficiar aqueles que fazem uma transmissão de qualidade e que a medida, já adotada em países da Europa, vai ajudar o Jornalismo Esportivo no Brasil. Discordo completamente.

Primeiro lugar: comparar a Europa com o Brasil é só pra quem é insano; mesmo com a crise que eles atravessam, os europeus são muito mais estruturados e dispõem de leis iguais para todos em sua grande maioria. Ou seja, os mesmos direitos e deveres de uma grande rádio ou TV também se aplicam a uma pequena.

Segundo: se a Anatel não consegue dar conta de rádios piratas, vai dar conta disso?

Terceiro: parto para as web rádios. Tal segmento não possui nenhuma lei nem mesmo regulamentação. Oras, como poderá ser cobrado algo se nem mesmo o meio é reconhecido?

Mas isso tudo passaria despercebido e é facilmente ajustável (em um Governo sério, ou seja, longe de ser nosso caso, mas vá lá) para tal exigência corintiana. O grande problema é que, mais uma vez, quem pagará o pato são as pessoas honestas e trabalhadoras.

Sim, porque eu DUVIDO que tal decisão vai favorecer a qualidade. Agindo assim, a medida (que se executada com sucesso será seguida por outros clubes) vai favorecer somente aos parceiros e apadrinhados de clubes e federações. Sempre foi assim e nada leva a crer que vai mudar. É muito fácil ser a favor de uma regra absurda dessa quando se trabalha em uma grande emissora ou portal. Existem aqueles que, sim, olham para os jovens talentos em busca de pinça-los às grandes emissoras, mas em geral, quem trabalha na grande mídia está torcendo para essa medida ser aprovada e vingar.

Ninguém imagina uma Globo, uma Band, uma Jovem Pan ou um UOL ou Terra de fora dessa "panelinha", mesmo com qualidade questionável de alguns integrantes, ao passo que, mais uma vez, quem irá tomar no cu serão os pobres coitados das web rádios, que "vendem almoço para ter a janta" em prol de um objetivo profissional e que, com o avanço da internet, deveria ter a chance de mostrar serviço na prática e aparecer para alguma emissora.

(se não gostou do palavrão, um abraço, tchau e bença).

Sim, estou defendendo meu peixe e dane-se quem pensa diferente. Qualidade por qualidade, não é só a Web Rádio Show de Bola, da qual eu participo, que faz um trabalho exemplar. Outras web rádios que trabalham de forma séria seriam prejudicadas, porque a maioria das web emissoras não existem para fins comerciais. Elas existem para lapidar e divulgar talentos.

Mas atrás disso tudo, nas entrelinhas, existe a vontade cada vez maior de acabar com o trabalho dos jovens, que estão começando e que trazem inovações na forma de conduzir uma partida. Sim, muitos são aventureiros amadores, mas estes são facilmente detectados e achincalhados. Os bons é que sofrerão, mais e mais, a rejeição daqueles que se penduram há anos nas rádios e TVs e morrem de medo da juventude. Sei disso porque já presenciei um locutor expelindo sua raiva contra "os moleques das webs, essas pragas".

Fora aqueles sem capacidade nenhuma e que se abraçam aos QIs para manterem-se em suas funções. Mas aí não é exclusividade de jornalismo, e sim, de todas as áreas. Fosse o Brasil um país mais justo e desenvolvido, tal medida seria ótima para alavancar o meio jornalístico. Mas sabemos que não é bem assim.

No fim das contas, aquela velha história da bola cheia e da bola murcha prevalecerá: quem não tem capacidade para ser um "bola cheia", faz de tudo para que os outros sejam uma "bola murcha". Porque, salvo exceções, ninguém quer subir. E sim, quer que o outro caia.

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