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quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Exceção, não mais!

Dominguinhos (esq.) retorna à Estácio de Sá. Convite feito por Leandro
Santos (dir.): gesto singular! (foto: Tatiana Perrota / SRZD)
Faltando pouco mais de seis meses para o Carnaval 2014 do Rio de Janeiro, uma ótima notícia alegrou os bambas.

Dominguinhos do Estácio, recém saído da Imperatriz Leopoldinense claramente por desavenças com Wander Pires (ohhh!), retorna à agremiação onde começou no final dos anos 60 e fez história, tanto ajudando a escola do morro de São Carlos a ser conhecida nacionalmente (ganhando inclusive o caneco em 1992, com uma atuação magistral de "Paulicéia Desvairada") como também impulsionando a própria carreira.

Além da Estácio de Sá e Imperatriz, Dominguinhos passou também por Santa Cruz, Grande Rio, Viradouro e Inocentes de Belford Roxo, além de outras escolas em Manaus, Belém, Niterói e Uruguaiana. O intérprete é, até hoje, na posição de puxador oficial (que virou "regra" em meados dos anos 70), o único do Carnaval carioca a ser campeão do Grupo Especial por três escolas diferentes: Imperatriz (1980, 1981 e 1989), Estácio (1992) e Viradouro (1997).

O anúncio foi feito no último dia 4, na famosa Feijoada do Leão. Seria apenas um simples anúncio (apesar da boa notícia de sua volta) não fosse por um pequeno detalhe: quem convidou Dominguinhos a retornar à sua escola de coração foi o atual intérprete da alvirrubra, Leandro Santos.

Leandro é o número um do carro de som da Estácio desde 2010. E, demonstrando todo o respeito a um ícone da escola e do Carnaval, ele ignorou o fato de ter que ceder seu posto de intérprete principal na escola. Claro que a diretoria não o ignorou e retribuiu o gesto singular: ambos dividirão por igual o microfone do "Pavilhão do Amor".

Como definiu maravilhosamente o Marco Maciel, em sua coluna no Sambario, não é fácil para ninguém chegar à posição de cantor principal em uma escola, vide muitos que estão de fora atualmente (para mim, a única "desculpa" para as escolas terem duplas, trios e quartetos em seus carros; justamente não deixar os experts de fora). Também vivemos em um mundo onde o ego fala mais alto, vide Mocidade 2011 (Nêgo e Rixxa) e a supracitada Imperatriz 2013. Pois Leandro deu de ombros para isso tudo.

Tal gesto com certeza tem tudo para se tornar atemporal - daqui a 200 anos falaremos disso. O nome de Leandro Santos, de alguma forma, já está eternizado no Carnaval, e tal atitude em querer uma lenda viva dos desfiles - e que provavelmente seja seu ídolo e de muitos - ao seu lado no sambódromo só aumenta a vontade de assistir a escola na Sapucaí, para saber o resultado dessa soma de vozes. Que a atitude do novato - e excelente - puxador vire regra, não só no Carnaval, mas em todos os segmentos da sociedade.

A boa notícia disso tudo: a parceria começou com o pé direito! Afinal, como diz o samba-exaltação da Estácio, "a saudade apertou...". E ele voltou!

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