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terça-feira, 4 de junho de 2013

Sexta marcha

Jorge Lorenzo soca o ar com o triunfo em Mugello: é o que dá subestimar
o atual campeão! (foto: motogp.com)
O fim de semana do esporte a motor que se passou foi, talvez, o mais propício em emoções. De todos os tipos:

1- A MotoGP teve mais um fim de semana propício em talento, arrojo e disputas. A etapa de Mugello, que aconteceu sob os rumores cada vez mais fortes - amem - da entrada da Suzuki em 2014 e da aproximação de BMW, Aprilia e Kawasaki de volta à categoria, teve Jorge Lorenzo como vencedor, após cumprir o que prometeu: ultrapassar Dani Pedrosa na primeira volta. Segundo o campeão de 2012, era a única forma de vencer. E assim foi. A Yamaha renasceu.

Valentino Rossi (46) e Alvaro Bautista (19): sorte de saírem
ilesos! (foto: motogp.com)
2- Quem segue sua onda de azar é Valentino Rossi. Mas desta vez ele não teve culpa. Aliás, se analisarmos friamente, nem mesmo Alvaro Bautista, que teve sua maior parcela de culpa no acidente com o heptacampeão, pode ser totalmente responsabilizado. O que importa é que os dois saíram ilesos, porque a pancada foi forte e fez ambos os pilotos darem uma cambalhota no ar.

3- Outro que se aventurou no chão foi Marc Marquez. Só que seus erros têm dimensões diferentes. No primeiro deles, nos treinos livres, apenas um corte no queixo e uns pequenos pontos roxos no lado direito do rosto não justificam a gravidade da queda - era pra ter sido muito pior. Na corrida, uma ultrapassagem épica sobre Dani Pedrosa, em um ponto de baixa velocidade e que, teoricamente, não daria para passar ninguém. Só que o novato espanhol pôs tudo a perder com outra queda, boba, que fez o piloto nº 93 lamentar por horas a fio. Sobrou até para o fiscal que o levou aos boxes ouvir o rio de lamentações.
Marc Marquez se lamenta após o erro na corrida!
(foto: reprodução / vídeo)

4- Três pilotos merecem destaque nesta prova específica: Andrea Dovizioso, Carl Crutchlow e Stefan Bradl. A prova maior de que a categoria está bem servida de pilotos. Aliás, a festa protagonizada pela LCR ao quarto lugar de Bradl, com direito a champanhe, mostra que, apesar da competitividade, o espírito esportivo ainda existe nos pilotos e nas equipes.

5- Scott Redding nada de braçada na Moto2. O que chega a ser uma surpresa - grata - porque ele não era um dos cotados para o caneco, apesar de andar muito bem. Quase o dobro de pontos para o vice-líder, Nicolas Terol - que, enfim, se acertou com a moto - não são de se jogar fora. Mais uma vitória e a disparada no certame, que tinha tudo para ter os espanhóis dominando. Os favoritos estão decepcionando.

Eric Granado (57): enfim, os primeiros pontos!
(foto: motogp.com)
6- Já na Moto3, o favorito pôs a cabeça no lugar, não se mete mais em polêmica e começa a justificar a expectativa de ser um dos maiores nomes daqui a alguns anos. Maverick Viñales se encontrou na Team Calvo - já que sua companheira de equipe, Ana Carrasco, ainda está aprendendo - e lidera o campeonato, numa disputa altamente ferrenha com Jonas Folger, da Aspar, com a dupla de Alex (Rims e Marquez) e com Luis Salom, da Red Bull. O equilíbrio prevalece e o futuro da categoria está garantido. Um futuro reinado também.

7- Por falar em Aspar, a única boa notícia se tratando de Brasil: Eric Granado (que está lá por méritos próprios, já que esporte a motor não existe aqui no país) conquistou seus primeiros pontos na categoria. Um nono lugar sólido, com uma pilotagem segura e constante, faz crescer a expectativa sobre o que ele poderá fazer nas próximas provas. E pensar que muitos achavam que a volta para a Moto3, após uma estreia precipitada e decepcionante na Moto2, era sinal de fracasso...

Protótipo da Caterham para as 24 horas de Le Mans: eles não estão no
automobilismo para brincar! (foto: divulgação)
8- A Caterham mostra que não está para brincadeiras, e anuncia a participação nas 24 horas de Le Mans, com um Zytek-Nissan, na LMP2. Em 2014 virá a Porsche. A Mercedes já anunciou que pretende fazer parte, também. E tem gente que diga que a corrida não tem nada especial...

Simon Pagenaud comemora sua mais que merecida primeira
vitória na Indy! (foto: indycar.com)
9- Na Indy, uma rodada dupla atípica em Detroit. A volta das corridas duplas proporcionou duas jornadas distintas - mas igualmente ótimas. No sábado, Mike Conway deixou claro com a vitória que, apesar de não querer saber mais de oval, não pode ficar de fora dos mistos. No domingo, o apocalipse! Em 30 voltas, já eram seis bandeiras amarelas. Quando a prova chegou na metade (35 voltas), apenas 11 tinham sido corridas em bandeira verde. Fora isso, um "big-one" causado por uma manobra mal-sucedida de Sebastian Bourdais, que fez Will Power rodar, Justin Wilson chapar o carro de Alex Tagliani e envolver mais dez carros juntos. Helio Castroneves saiu ileso, mesmo batendo, chegou em oitavo (já havia sido o quinto no sábado) e manteve a liderança. O vencedor? Simon Pagenaud. A primeira vitória dele e da Sam Schmidt/Peterson. Merecidíssimo.

10- Como se não bastasse tudo isso, as duas provas foram propícias de ultrapassagens, o que não aconteceu em 2012. Colaborou pra isso o aumento de uma das retas em 400 metros. Mas os "passadões" também aconteceram em pontos inesperados. Some-se a isso os destaques galáticos da prova, que foram dois: James Jakes (sim!) que foi ao pódio na segunda corrida sem fazer nenhuma besteira, o que aumentou a lista de pilotos que queimaram a língua de jornalistas e torcedores (Ed Carpenter, EJ Viso e Carlos Muñoz já haviam conseguido tal feito em Indianápolis). E, claro, o passeio da mamãe pato com seus cinco patinhos pelo circuito durante os treinos, que terminou sem mortos nem esmagados. Um primor!
Diego Nunes deu sorte de sair inteiro: retrato da podridão
do circuito! (foto: Miguel Costa Jr. / MF2)

11- Talvez a nossa querida CBA pudesse aprender com eles, já que a reforma (se é que podemos chamar assim) da bendita zebra do autódromo de Brasília quase fez esmagar os pilotos dentro de seus "carros". Felipe Fogaça e Diego Nunes tiveram sorte de, agora, poderem contar o que aconteceu. A corrida, vencida por Cacá Bueno - que reassumiu a liderança do campeonato - fica em segundo plano. Punir pilotos que passavam por cima da zebra devido a uma reforma feita nas coxas foi o ápice da bagunça e do descaso da CBA para com o que restou do nosso automobilismo. Uma pena a classe de corredores ser tão desunida e egoísta, frente ao arremedo de circuito, que tem vista para o estádio de 1 bilhão de reais....

12- A prova da desunião fica evidente até mesmo quando morre alguém. Foi assim com Laercio Justino, com Rafael Sperafico, com Gustavo Sondermann e, agora, com Fernando Lopes, de 32 anos, vítima de mais uma das atrocidades cometidas por federações sanguessugas estaduais. A corrida foi disputada em uma avenida em Carpina (PE), e a proteção usada faria uma criança de três anos dar risada. Dois míseros pneus não foram (e não seriam nunca) suficientes para evitar o impacto do kart contra um poste, que fez Fernando bater a cabeça e vir a óbito antes de chegar ao hospital. Para variar, a Federação se isentou de culpa, a prefeitura disse que não sabe quem (e se) inspecionou o local... e assim a gente vai vivendo, totalmente sem esperanças.

13- E pode estender essa última frase a todos os setores da sociedade. Afinal, só em um país como o Brasil que um trabalhador digno e honesto ganha menos que um bandido, um drogado ou um vagabundo que não quer fazer nada o dia todo. Será que Deus nunca pensou em formatar essa bagaça, com direito a Low Format e Hiren's Boot?

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