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segunda-feira, 6 de maio de 2013

A arte do mimimi


O lance da discórdia: Jorge Lorenzo fez birra sem razão! (foto: motogp.com)
Parecia um deja vu. Valentino Rossi e Sete Gibernau se envolveram em um lance tão polêmico quanto o deste fim de semana na MotoGP.

Marc Marquez e Jorge Lorenzo protagonizaram um final de prova surpreendente em Jerez de la Frontera. Largando na pole, o atual campeão do mundo largou mal e perdeu a liderança para Daniel Pedrosa. A partir daí, o piloto 26 da Honda disparou na dianteira e sumiu do mapa.

Com os pneus agindo de vilão, coube a glória a quem soube dosar o equipamento. E Marc Marquez aprontou das suas.

Mesmo com a moto sem equilíbrio nenhum, ele partiu para cima de Lorenzo e, nas duas últimas voltas, disputaram a posição da maneira como a gente gosta de ver: alternando posições sem medo de nada. A briga pelo segundo lugar chamou muito mais a atenção do que a vitória de Pedrosa (que a bem da verdade, não chama a atenção nunca).

Porém, o melhor estava reservado para a última curva, justamente a que foi rebatizada de "curva Lorenzo". Marquez enxergou uma brecha e atirou sua moto em cima. Passaria reto se não fosse por um momento de principiante de Lorenzo, que não viu a afobação do número 93 e fez a curva como se nada tivesse acontecido.

O choque entre ambos foi natural; era a senha que Marc precisava para não parar no estacionamento do circuito: com o toque, Jorge perdeu a segunda posição.

Lorenzo se nega a cumprimentar Marquez: disputa pode ser
o início da batalha pela supremacia. (foto: Honda)
Depois disso, foi um chororô monstruoso, a ponto de não cumprimentar o novato - e líder do campeonato - no paddock e no pódio. Mais calmo, na coletiva, ele reconheceu que errou.

Isso que não dá para entender. Como um piloto que desafiou - e venceu Valentino Rossi e é bicampeão da categoria pôde errar daquela forma? Era só ele ter olhado para trás para ver que Marquez passaria lotado na curva, o que seria suficiente para contornar a curva, mandar tchauzinho e garantir o segundo posto. Ao invés disso, ficou bravinho para fazer charme em frente às câmeras de TV.

Me lembrou a disputa entre Fernando Alonso e Felipe Massa, no GP da Alemanha, em 2007, onde o brasileiro - nos anos que não precisava ser submisso a ninguém - dividiu uma das curvas, chegando a tocar roda de leve com o espanhol, que não gostou nada e foi fazer cena de teatro no parque fechado.

Nem preciso lembrar do que o Massa disse para ele antes do pódio, né?

Viram a coincidência entre Alonso e Lorenzo? Dois grandes pilotos, que desafiaram os mitos das respectivas categorias, venceram e, depois disso, subiram no salto alto da arrogância e não aceitam perder. Sim, ambos não sabem perder. Lorenzo entrou para esse gigantesco clube, dos que não sabem aceitar uma derrota.

Porque a disputa entre ambos, ontem, não foi só uma simples disputa por posição. Ela pode significar o começo de uma batalha pelo reinado da categoria. Uma batalha onde ninguém poderá demonstrar fraqueza e deverá usar de todas as armas para se sobressair, tal qual Ayrton Senna e Alain Prost.

O que lamentamos é que, enquanto a arma de Marc Marquez é o arrojo, a de Jorge Lorenzo parece ser a birra. E isso é triste!

Fim de semana histórico

Alan Techer é levado para o Hospital de Jerez de la Frontera:
piloto está consciente. (foto: Marcelo Del Pozo / Reuters)
As categorias inferiores da MotoGP também tiveram seus momentos de emoção. Na Moto3, Maverick Viñales venceu a prova, que foi interrompida em bandeira vermelha por conta do acidente com Alan Techer, que precisou ser levado para o Hospital de Jerez.

As últimas informações davam conta que o piloto estava consciente. Completaram o pódio - sem champanhe, é claro - Luis Salom e Jonas Folger. O destaque, no entanto, vai para Eric Granado que melhorou de forma absurda e já começa a lutar por pontos.

Já a Moto2 assistiu à primeira vitória de Esteve Rabat na categoria. Dominante do início ao fim, desde os treinos, o piloto da Pons fez os adversários comerem poeira. Restou o segundo lugar para Scott Redding e o terceiro posto para Pol Espargaró, que subiu ao pódio após travar uma disputa ferrenha com o japonês Takaaki Nakagami, da Italtrans.

Mais uma daquelas disputas épicas que gostamos de ver.

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2 comentários:

  1. "Era só ele ter olhado no retrovisor para ver que Marquez passaria lotado na curva..."

    Uma pequena correção, Rodrigo: as motos da MotoGP não têm retrovisor...

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    Respostas
    1. Corrigido, Erick! Obrigado pela lembrança!!

      Excluir

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