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terça-feira, 14 de agosto de 2012

Há o que comemorar?

Arthur Zanetti, talvez a única boa notícia do Brasil
em Londres (foto: Cleber Mendes)
Não escrevi sobre os Jogos Olímpicos durante a competição, pois queria fazer uma análise bem resumida do evento.

Sim, a cobertura durante os Jogos foi quase que perfeita. A Record, na TV aberta, superou as expectativas. SporTV, ESPN, BandSports fizeram o esperado, ou seja, acima da média.

Pela internet, o portal Terra transmitiu TODOS os eventos. Pena que, algumas vezes, eles mostravam competições já definidas como sendo AO VIVO. Mas isso é detalhe que se corrige fácil. Esperamos.

Assim como esperamos que, em 2016, nosso país tenha um desempenho à altura do merecimento de 80% dos atletas. Sim, se formos julgar o resultado de muitos deles baseando-se no apoio recebido no país, talvez a grande maioria nem tivesse condições de estar lá.

Não vou gastar dedos falando dos estrangeiros. Os nomes esperados brilharam ou cumpriram seu papel com, digamos, dignidade: Michael Phelps, Gabrielle Douglas, Teddy Rinner, Usain Bolt, Yelena Isinbayeva, Roger Federer, o handebol feminino da Noruega, o basquete americano e o futebol feminino dos Estados Unidos são alguns exemplos de favoritos que cumpriram seu papel e, na grande maioria dos casos, saíram com a medalha de ouro no peito.

No Brasil, não é bem assim... falta muita coisa para chegarmos no nível, por exemplo, de Argentina e Espanha, que mesmo sem muitas medalhas, investem pesado no esporte e sempre incomodam em várias modalidades. Ou seja, o investimento veio antes do resultado que, mais dia, menos dia, chegará.

Mas vai explicar isso para as nossas empresas e para os torcedores...

Infelizmente, a grande maioria deles não compreende o fato de que a imensa maioria de nossos representantes nas quadras, campos, piscinas e areias chegaram a Londres à base de muito esforço e sacrifício próprio. Como disse o Vinicius Sacramento, em um dos episódios do Mesa de Boteco, "cobra-se demais de quem não tem obrigação de ganhar e perdoa-se quem tem a OBRIGAÇÃO de fazer bonito".

Nessa última ocasião incluem-se César Cielo (natação), Diego Hypólito (ginástica artística), Fabiana Murer (atletismo), Leandro Guilheiro e Thiago Camilo (judô), Alisson/Emanuel e Juliana/Larissa (vôlei de praia), Leandrinho (basquete) e, principalmente, outros dois esportes coletivos: futebol e vôlei, ambos masculino. Possuem grande estrutura para treinar, recebem bem e/ou possuem polpudos patrocinadores pessoais e ganham campeonatos a rodo.

"Mas Rodrigo, veja bem, os estrangeiros também são atletas de altíssimo nível". Bom, em nenhum momento eu disse o contrário.

Mas é inadmissível ver um chorando e dizendo que "amarelou", ou então ouvir de outro que "a culpa foi da prova passada", pior ainda culpar o vento... ou então sem demonstrar NENHUMA vontade para superar as dificuldades e, ao menos, deixar boa impressão, como aconteceu com o vôlei de praia.

Outras derrotas foram esquecidas devidas unicamente ao esforço e à superação. Foi o caso do handebol feminino. Perdeu? E daí? Lideramos o grupo e só paramos diante das, agora, bicampeãs olímpicas, Noruega.

A mesma força de vontade que faltou no futebol masculino e, principalmente, no terceiro set da decisão do vôlei masculino. Talvez por acontecer o contrário do "complexo vira-latas": a soberba. O típico problema de achar que "ganha a hora que quiser". Fraquejaram e, por isso, merecem ser cobrados, sim.

O mínimo que se espera de atletas desse nível que citei é que façam bonito e se façam respeitar. Como fizeram as meninas do vôlei, como fizeram nossas meninas do futebol; como fizeram Thiago Pereira e Bruno Fratus na natação; Yane Marques no pentatlo moderno; Robert Scheidt e Bruno Prada no iatismo; Felipe Kitadai, Mayra Aguiar e Rafael Silva no judô; Marcelinho Huertas e Anderson Varejão no basquete; Marílson dos Santos, Franck Caldeira e Paulo Roberto de Paula na maratona; Sergio Sassaki na ginástica artística; Esquiva Falcão e Adriana Araújo no boxe e até mesmo Thomaz Belucci no tênis.

Nenhum desses ganhou o ouro, mas... e daí? Foram para Londres, fizeram bem o seu papel e o principal: tiveram postura de atletas de nível.

As melhores notícias, no entanto, recaem sobre dois nomes que brilharam nos Jogos: Arthur Zanetti e Sarah Menezes. Um conquistou um ouro inédito para a ginástica; a outra confirmou seu favoritismo para ganhar medalha (qualquer que fosse) e se portou como uma campeã.

O desempenho de ambos é uma luz no fim do túnel, que deixa a principal lição para 2016: investir nas escolas. Para que mais atletas de alto nível possam aparecer nas competições internacionais - e que não coloquemos sobre os mesmos as esperanças de vitórias.

Porque ganhar e perder faz parte do esporte.

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