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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Considerações dos desfiles

Feliz Ano Novo. Pois é... não dizem que o ano só começa depois do Carnaval?

Falar na festa popular que toma conta do país é pensar de imediato nos Desfiles das Escolas de Samba, principalmente no Rio de Janeiro e em São Paulo. Pena que a conclusão da festa não tenha sido a que queríamos.

Para início de conversa, ou melhor, de confusão, a apuração de Santos mais uma vez ficou marcada pela desconfiança dos dirigentes das outras agremiações diante da Secretaria de Cultura, por mais um título da X-9 (estranho, por sinal). Declarações, insinuações, bate-boca... mas nada além disso, não é mesmo, afinal, todos ganham e perdem um dia, certo?

Confusão no Anhembi
Bom, não foi isso que aconteceu em São Paulo. Antes do início da apuração, uma reunião a portas fechadas entre os presidentes das escolas - e a suspeita de fraude pela troca de dois jurados na véspera dos desfiles - trouxe um clima de desconfiança para a apuração - o tal "cheiro de clorofila no ar" (dito pelo presidente da Vai-Vai) e o "sinto que teremos problemas" (pronunciado pelo presidente da Gaviões).

O resultado não poderia ser outro. Uma confusão envolvendo a grande maioria das escolas, iniciada pela invasão de um membro da Império de Casa Verde (a história de que ninguém sabe de onde ele surgiu não cola, nem por parte da segurança, muito menos pela diretoria da escola), que pulou a cerca e rasgou algumas notas da bancada. A torcida da Gaviões, que estava enraivecida pelo 8,9 levado em Evolução (injustamente, diga-se), deixou as arquibancadas, literalmente, quebrando tudo. Inclusive botando fogo em um dos carros alegóricos que estava no estacionamento do Anhembi.

Carro abre-alas da Mocidade Alegre, que conquista
seu quarto título em oito anos.
História essa que pode ter um final bem pesado. As duas escolas, mais a Camisa Verde e Branco e a Vai-Vai, devem sofrer algum tipo de punição, por supostamente terem dado início à confusão (sob a ameaça do prefeito Gilberto Kassab, de cortar a verba pública caso todos saiam impunes - olha quem quer dar exemplo...). Não acredito em nada premeditado. Mas eu duvido que essas agremiações sejam banidas. Carnaval paulista sem Vai-Vai e Gaviões é a mesma coisa que a Fórmula 1 sem a Ferrari.

(antes de continuar, como seria bom se as pessoas se indignassem dessa maneira contra os baixos salários, contra a falta de segurança, contra a péssima saúde, contra a corrupção...)

Falando do que interessa, a Mocidade Alegre levou o título. Merecidíssimo. O chororô da Rosas de Ouro não tem fundamento algum.

Alegoria "Do barro se fez a vida", que ajudou a Unidos
da Tijuca a conquistar o tricampeonato.
Como também foi merecido o pódio do desfile do Rio de Janeiro. A Unidos da Tijuca levou seu terceiro título em um ano marcado mais pelos belos sambas-enredo do que pela beleza das escolas. Mais uma vez, Paulo Barros levou inovações para a Sapucaí (com exceção do último carro, tosco demais) e faturou o caneco, seguido pelo Salgueiro (que perdeu para ele mesmo, de novo) e pela Vila Isabel (que, na minha opinião, merecia o tricampeonato).

Porém, a apuração ficará marcada, mais uma vez, pelo protecionismo a certas escolas. A Grande Rio fez um desfile horrível, criticada por muitos especialistas. E terminou em quinto. A Mangueira, deixando de lado a empolgação e a inovação, descumpriu vários itens de evolução e harmonia. Merecia bem menos que o sétimo lugar. A Portela levou o sexto lugar. Foi pouco. E nada me tira da cabeça que a última vaga do Desfile das Campeãs soa como um prêmio de consolação dos jurados. Mas nada mais "cruel" do que fizeram com União da Ilha, Mocidade e São Clemente, cujas notas em nada justificam seus belíssimos desfiles. O que mais levanta a suspeita de armação é que as justificativas dos jurados não ficam prontas na hora.

Bateria da Inocentes de Belford Roxo, que conquista
o acesso ao Grupo Especial, em 2013.
Aliás, a São Clemente ganhou um presente inesperado. Além de se manter no Grupo Especial (com o rebaixamento merecido da Porto da Pedra - que vai para o Grupo A junto com a Renascer), a escola da Zona Sul ganhou uma concorrente bem fraquinha para fugir da degola em 2013: a Inocentes de Belford Roxo. Sim, a escola azul e vermelha da Baixada Fluminense sobe para cair no ano que vem. E o seu título (sem nenhum merecimento, diga-se de passagem) carregou uma indignação enorme, principalmente por parte de rádios e sites que cobriram a apuração, insinuando, inclusive, que o título dado à escola serviria como trampolim político, já que o presidente da LESGA, Reginaldo Gomes, tem ligações com a Inocentes e é vereador em Belford Roxo - e provável candidato à prefeitura da pequena cidade.

Pelo menos no Grupo B deu a lógica e o favoritismo, com o título da Caprichosos de Pilares. Mas fica a pergunta: quando uma apuração fará um julgamento real de cada escola?

Nessa época de apuração, muitos se revoltam, dizendo que não irão mais assistir nada, e coisa e tal. Claro que isso é mentira, pois todos nós, que gostamos de Carnaval e assistimos os desfiles na íntegra, sempre estaremos interessados em saber das notas.

É a sina do torcedor!

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Um comentário:

  1. É vdd! É uma roubalheira td ano... Mas não canso de assistir...
    =)

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