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domingo, 19 de setembro de 2010

O talento para longe

A notícia que mais me chamou a atenção no mundo da Fórmula 1, às vésperas do GP noturno de Cingapura, foi a do presidente da equipe Renault, Gerard Lopez. Mesmo confirmando a conversa que teve com Steve Robertson, empresário do campeão de 2007, o dirigente da escuderia declarou que não há interesse no finlandês e que a equipe está satisfeita com Vitaly Petrov.

"Vejam as coisas como são, as pessoas agora acham que as coisas vão bem e nós vamos mudar nossos pilotos. Há um certo piloto de rali que não estava interessado na Fórmula 1, mas já fez contato e está interessado em voltar, curiosamente conosco, mas nós não estamos ainda".

Mesmo afirmando que a grana levada por Vitaly Petrov é importante na escolha, Lopez afirmou categoricamente que o russo não é piloto pagante: "Ele é um bom piloto, ficou em segundo lugar na GP2 no ano passado e poderia facilmente ter vencido o campeonato se não fossem as seis quebras. Seria estúpido não assumir que existe negócios por trás disso. Mas nós temos de construir o piloto. Ele é um elemento muito importante para nós", declarou.

Bom, tudo muito bonito no mundo utópico dos sonhadores. Claro que a Renault pensa mais no dinheiro do russo do que no talento dele como piloto. E a equipe, mantendo-o em um dos cockpits, garante uma boa grana, dá um motivo principal para os russos ingressarem na categoria e garante a Robert Kubica um carro em condições de brigar por algo.

E também é fato que Petrov tem suas credenciais. Ao lado de Lucas di Grassi, na Campos/Addax, na GP2 de 2008, levou a equipe ao título de construtores, foi vice em 2009 e, após um péssimo início, vêm fazendo seus pontinhos e, por vezes, andando no mesmo ritmo de Robert Kubica.

Mas o desinteresse dos hispano-franceses pelo Kimi Raikonnen só existe por causa do próprio Kimi.

Sim, eu sei que as meninas do Octeto vão me trucidar, mas é verdade. Ele já demonstrou que se desinteressa quando as coisas não estão bem (ou alguém acha que Felipe Massa, por melhor que seja, daria um passeio no finlandês em 2008 e 2009?). Na Malásia, em 2009, enquanto todos se perguntavam se teria corrida ou não, o Iceman abandonou a corrida, foi pro box da equipe, pegou sua Coca-Cola e deixou claro o estilo "tô nem aí".

Esse estilo debochado do campeão de 2007 é bacana, mas não atrai mais os olhares das equipes grandes. Basta ver que as quatro principais da temporada possuem dois pilotos de ponta. E as equipes pequenas não possuem dinheiro para bancar seu salário astronômico.

Se voltar a demonstrar interesse em competir, Kimi Raikkonen acha vaga em qualquer equipe. Mas ele não demonstra. Largou a F-1 no ano passado deixando essa imagem. E é a que ficou no mundo da F-1. E, pelo andar da carruagem, o finlandês vai seguir pilotando pelas trilhas de terra do Mundial de Rali (e a derrubar árvores também).

Uma pena.

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